terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Minha Mamoplastia Redutora pela Unimed - parte 5

Parte V: até a segunda surpresa
Os dias foram passando e o resultado da hiperbárica ficava cada vez mais surpreendente. Quando recebi alta da oxigenoterapia fiquei muito feliz, estava com 22 dias de operada. Minha aréola foi totalmente recuperada e pigmentada. Diante de todo esse sofrimento nunca reclamei, todos os dias agradecia a Deus por tudo. Teve momentos em que cheguei a pensar qual verdadeiro motivo disso ter acontecido comigo, mas sempre me lembrava do meu Jesus que é grande e da fé que eu tenho Nele.

No período de recuperação, cada dia que passa você nota a diferença. O desconforto vai ficando menor e com uns 25 dias você começa a achar que está 100%, aí é que mora o perigo. O que me trouxe alívio foi fazer a drenagem linfática. Comecei com oito dias de operada, quando a Manu passou a me atender em casa. Quando acabava a drenagem a mama murchava, eu ia até no banheiro, de tanto líquido retido. A Manu também tratava minha cicatriz com massagem específica e óleo de rosa mosqueta. Adorava fazer a drenagem, além de ganhar alívio, ganhei uma amiga. A Manu me acompanhou todos os dias, foi minha confidente e sempre me animou muito. Bem que a Inês falava que a gente ia dar certo! É uma super profissional!

Só fui tirar os pontos com 19 dias de cirurgia. Quando o dr. Jorge estava tirando, a secretária dele entrou e falou comigo que a biópsia do nódulo estava pronta. Ele perguntou para ela:
-Foi a biópsia que deu aquele negócio?
Eu: - que negócio?????
Ele: Muita pizza, macarrão, sorvete, chocolate, só gordura Vanessa.
Eu: - kkkkkk
Ele: - Agora aproveita que você está com a mama bonita para emagrecer, porque seu rosto e o formato do seu corpo são lindos! Quero ver você maravilhosa!
Fiquei lisonjeada, afinal, veio de um cirurgião plástico!
Estava tudo sequinho e a cicatriz fininha. Ela fica bem avermelhada e um pouco hipertrófica, mas a Manu fazia o tratamento e colocava pressão com a gaze para abaixar. O médico falou que a cicatriz começa a clarear com seis meses. No início, a mama fica esquisita, meio achatada, depois vai ficando redonda e tomando uma forma mais bonita. A diferença nas roupas é instantânea, perdi muitas camisas e recuperei outras. As pessoas que não sabem que operei perguntam se eu emagreci. Fiquei doida para saber qual seria o meu número, por enquanto, está 46, mas acho que ainda vai desinchar mais.

Voltei a dirigir com 30 dias, quando também voltei a trabalhar. No fim do ano, tive vários convites para ir à praia, mas só vou poder mesmo em abril, com seis meses. O meu médico deixou com três, mas prefiro esperar. Até 40 dias estava tudo tranqüilo, quando tive a segunda surpresa do pós-operatório.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Minha Mamoplastia Redutora pela Unimed - Parte 4

Parte IV: Até a Oxigenoterapia Hiperbárica

Estava muito apreensiva para retirar o “curativão”, pois não agüentava mais de tanta coceira devido à alergia. Finalmente, o dr. João tirando cuidadosamente para não doer, chegou o dr. Jorge para acabar quando vi a cara de decepção deles. Meu corpo estremeceu, meu coração doeu. Sim, estava com um problema na cicatrização.

Ah que vontade de sair correndo e nunca mais voltar! O doutor Jorge já tinha conversado comigo sobre os riscos e as complicações da cirurgia. Só que a gente pensa que nunca vai acontecer com a gente.
Ele não me desanimou, pediu que tivesse paciência, receitou os remédios e pomadas e indicou um tratamento que estava obtendo bons resultados em casos como o meu, a Oxigenoterapia Hiperbárica.

Quando ele viu que eu ia entrar em pranto, ele conversou comigo. –Vanessa tenha calma. Você fez uma escolha na sua vida. Você não operou por estética. Se com 24 anos você já está com escoliose, mais cedo ou mais tarde, você iria ter uma hérnia de disco. E na cirurgia de hérnia de disco, que é muito pior, de dez pacientes um não volta a andar.

O detalhe é que quando olhei no espelho passei mal duas vezes na clínica, quase desmaiei, mas é porque sou fraquinha mesmo. Saí de lá direto para a clínica de hiperbárica, para saber o preço, porque o convênio não cobria. Realmente, confirmei que o tratamento ficaria muito caro, mas estava disposta a me endividar como for para fazê-lo.

Saí da clínica já chorando, meu mundo já tinha desabado. Quando cheguei em casa, minha mãe também não agüentou, caiu no choro. Liguei para o Vitor desesperada. Ele, um amor de pessoa, me acalmou falou que eu não deveria me preocupar porque ele arcaria com tudo. Fiquei muito aliviada e muito agradecida. Deus é bom por ter colocado um noivo desse jeito na minha vida.

Eu decidi que não contaria esse problema para ninguém, pois enfrentaria de cabeça erguida. Recebi muito apoio da minha mãe, minha vózinha querida que cuidou imensamente de mim, meu pai, do Vitor, da Cibely, da Vivian, Taninha, Virgínia, Camila, pessoal da igreja, enfim, todos aqueles que ficaram sabendo naquele momento.

Comecei a oxigenoterapia hiperbárica no outro dia. As enfermeiras e a médica da clínica me tranqüilizaram muito, falaram que meu problema era fácil de resolver. O risco, se eu não fizesse o tratamento, era minha aréola morrer e ter que fazer enxerto, o que me apavorou muito. Eu nunca tinha ouvido falar da hiperbárica, só sabia que os astros de Hollywood faziam para rejuvenescer. É o seguinte: o paciente entra na câmara hiperbárica, que mais parece um submarino, e durante duas horas, respira oxigênio puro, através da máscara. A pressão dentro da câmara, se não me engano, chega a 15 metros abaixo do nível do mar. Assim, os órgãos se contraem e, ao respirar oxigênio puro, a corrente sangüínea leva para todos os lugares que estão com déficit, contribuindo para a cicatrização.

A primeira sessão eu tirei de letra, não tive dor de ouvido e muita paciência, pois você fica duas horas só pensando na vida, sem fazer absolutamente nada. Eu tive muita força, estava determinada a me recuperar. Por incrível que pareça, esse tratamento deixou marcas profundas na minha alma, porque passei por experiências reais de solidão e abandono vistas nos olhos dos meus companheiros de hiperbárica. Foi nesse período que escrevi o post Valor à Vida. Então você pode ler e conferir o que senti.

Fiz 17 sessões seguidas, sem interrupções até nos finais de semana. Aprendi muito nesse período, principalmente, a ter paciência. Em toda sessão escolhia o que iria pensar. Lembrei de cada momento que vivi, de cada pessoa que já passou na minha história. Compartilhei também da história de cada paciente, muitos dias, alguns choravam de dor, isso também me doía. A cada dia que passava recuperava ainda mais, o resultado era impressionante.

Agradeço a todas as pessoas que me visitaram, me deram força e oraram por mim nesse período. Lê, adorei sua ligação direto de Sampa, me senti muito importante!

No próximo capítulo (rsrsrs) continuo com mais detalhes sobre recuperação, drenagem, pontos, roupas perdidas, dirigir, trabalhar, essas coisas.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Minha Mamoplastia Redutora pela Unimed - Parte 3


Hoje vou para o terceiro capítulo. Estou contando detalhadamente tudo que senti, passei e ainda me lembro, para enriquecer a experiência.

Parte III: até a volta ao médico

Acordei com a enfermeira falando: - Vanessa acabou, vamos pra maca? Eu logo respondi e fui encaminhada para a sala de recuperação. Estava grogue demais e a primeira coisa que perguntei foi qual a quantidade retirada. A enfermeira já foi fofocando no meu ouvido: - Menina, Dr. Jorge tirou 1,1kg de cada mama, você está 2,2kg mais magra!

Fiquei feliz, imaginava que seria mais ou menos isso mesmo. Na sala de recuperação, eu não senti nada, só uma vontade enorme de fazer xixi (desculpe o termo, mas vou usar o coloquial mesmo). Pedi a enfermeira para colocar a comadre, só que travei toda. O enfermeiro chefe me ameaçou passar uma sonda caso não conseguisse urinar. Fiz tanta força que saiu só um pouquinho. Tanto que quando mexia parecia que meus pontos iriam arrebentar, essa sensação é constante no início.

A cirurgia durou cinco horas. No final, o doutor Jorge chamou minha mãe para levar o sutiã cirúrgico e saber notícias da operação. Ele contou que minha cirurgia foi um sucesso, eu estava me recuperando bem e perguntou se minha mãe queria ver.

Ela disse: - Ver a Vanessa?
Ele: - Não. Ver o que eu tirei da Vanessa.
Ela: - Quero sim!
Ele: - Hum! Corajosa!
Então minha mãe percebeu que a enfermeira carregava dois sacos. Ela pegou, sentiu o peso e falou que parecia gordura de frango com nervinhos! - Ecaaaaa!
Estava quase boa e a enfermeira veio cochichar comigo novamente: - Tem um moço lá fora querendo invadir o bloco cirúrgico de tanta ansiedade, o que ele é seu?
Eu respondi: - Esquenta não, é o Vitor, meu noivo, ele é assim mesmo!

Também pudera, eu só saí do bloco às 16h30.

Quando subi para o quarto já quis ir ao banheiro. A enfermeira negou, pois disse que minha pressão poderia cair e eu não sentir minhas pernas por causa da anestesia. Eu relutei e falei que se eu caísse, o Vitor me segurava. Enfim, missão cumprida, xixi eliminado!

A primeira sensação que tive ao passar a mão foi estranhar muito. Perguntei: - Uai, cadê os meus peitos? Quando olhei pra baixo e vi minha barriga, que susto! É verdade, eu não a enxergava antes! O Vitor comentou: - Nossa amor, sua aparência mudou, ficou ótima! E olha que eu estava com aquela cara de detonada!

Eu não senti nada com a anestesia, nem sequer um enjôo. Estava super bem. Só fiquei impressionada porque saiu muito sangue da cirurgia, que sujou os lençóis e meu sutiã, mas era um sangue morto, normal. A primeira e única noite no hospital foi uma penúria, pois senti muito desconforto em ficar numa posição só. Acordei minha mãe a noite inteira para levantar e abaixar a cama. Senti uma secura na boca e minha pressão baixava muito toda vez que levantava, foi só isso.

Na manhã seguinte, já tomei banho completo com ajuda da enfermeira e, logo em seguida, o médico me deu alta. Ao voltar pra casa, quase morri, porque o carro balançava demais. Os remédios receitados foram antibiótico, anti-inflamatório, analgésico, vitamina c e ácido fólico.

A parte mais difícil do pós-operatório foi dormir numa só posição e ficar longe dos meus goldens. O Bono e a Bella olhavam pra mim e choravam sem entender nada. No início, minha vó e minha mãe me ajudavam a fazer tudo. Levantar do sofá, da cama, pentear cabelo, subir a calcinha, pegar as coisas no alto e no baixo, tomar banho, carregar algo mais pesado, etc. (Aí você aprende o que é depender dos outros). Minha mãe me ajudava no banho, eu ficava sentada num banquinho de plástico, usava sabonete de glicerina. Lavei meus cabelos no salão, nos primeiros 15 dias, pelo fato de ser mais confortável. Fui muito paparicada por todos!

A mamoplastia redutora não é uma cirurgia dolorida, o uso de analgésico alivia a dor. O melhor jeito de se recuperar rápido é seguir as orientações médicas e ficar quietinha, sem levantar os braços. Eu fiquei muito inchada, tive alergia ao micropore, minha pele ficou super oleosa e meu couro cabeludo descamou. Eu não tive coragem de olhar no espelho nos três primeiros dias, mesmo estando com o curativo. Depois me acostumei.
Com cinco dias de cirurgia, eu tive que voltar ao médico para retirar o micropore e ser avaliada. Foi quando tive a primeira surpresa do pós-operatório...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Minha Mamoplastia Redutora pela Unimed - Parte 2

Demorei a escrever a continuação de minha história, pois como minha vida está voltando ao normal também está corrida com muito trabalho acumulado. Sem falar no desvio de percurso da cirurgia que conto mais pra frente. Apesar da alegria com o resultado, cirurgia é cirurgia, e a recuperação está sendo bem devagar.

Parte II: Até a Cirurgia

Depois que recebi o resultado da perícia, voltei ao médico para marcar a data e fazer o risco cirúrgico. Escolhi o Hospital da Unimed para operar, pois tinha boas referências de lá. Fiz todos os exames e estava tudo tranqüilo, cirurgia marcada, preparação psicológica a 1.000 por hora. Até que na véspera, recebo o telefonema da secretária do Dr. Jorge com a seguinte notícia:
- Vanessa sua cirurgia foi adiada porque o Dr. Jorge quebrou o dedo e não tem como operar!
Pensei: - Eu mereço!
Fiquei muito aflita, pois estava tudo preparado, mas aí você começa a pensar num monte de coisas: é sinal para não operar, algo vai dar errado, e se eu perder o prazo do convênio... É certo que tomei até floral para controlar a emoção e o medo. Nesse intervalo, minha cirurgia foi adiada mais um mês, o que resultou no ganho de alguns quilinhos por conta da ansiedade.

Passou rápido, e no dia 30 de outubro acordei já em jejum, tomei banho, li a Bíblia, despedi dos meus goldens, orei umas trocentas vezes a caminho do hospital. Cheguei lá, já estavam me esperando. Subi para o bloco cirúrgico e a enfermeira me mandou arrumar. Enquanto isso, recebi um telefonema da minha sogra cantando um hino cristão pra mim, tudo bem que quase desabei, mas fortaleci. Despedi da minha mãe sem muito apego para não me emocionar e fiquei esperando a anestesista vir falar comigo. Deu uma vontade de sair correndo dali, confesso.

Consultei a anestesista já no bloco cirúrgico e ela decidiu que eu tomaria a geral. O Dr. Jorge chegou me cumprimentou, perguntei se me deixaria linda, ele muito simpático afirmou: mais do que já é! Ele começou a marcar minhas mamas com a régua, conversamos bem descontraídos e depois deitei na mesa de cirurgia. Os médicos assistentes começaram a me preparar e a intrometida aqui resolveu perguntar pra um médico assistente: - Cirurgia de mama é simples, não é? Ele me respondeu: -A sua não vai ser não, pois é muito grande.

Toma papuda! Não entrei em pânico, fechei os olhos e pedi a Deus pela milionésima vez. Tudo preparado, olhei no relógio, marcava 8h30, e a anestesista fala comigo: - dá tchau para o dr. Jorge e respira fundo. Eu: -tchau dr. Jorgeeeeee... Vamos com Deus! – puff, apaguei!