quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Questão da Recompensa

Quando criança ficava esperando minha mãe chegar do serviço ansiosamente. Primeiro, pela expectativa de ver a pessoa mais importante da minha vida, que trabalhava fora o dia inteiro, e, segundo, pela recompensa que ela sempre trazia para me agradar, justificando sua ausência. Essa recompensa geralmente era um doce, um chocolate, tortinhas, salgadinhos e outras delícias. Desde então, sem querer, pelo menos inconscientemente, minha mãe me deixou mal acostumada a sempre desejar alguma recompensa para suprir a falta ou os sentimentos ruins.

O costume foi introjetado na minha vida e hoje eu lido com ele como uma válvula de escape para a frustração. Para ser mais direta, eu sempre quero comer algo gostoso, extremamente calórico, para me recompensar pela situação que me estressou, me deixou preocupada, triste e, até mesmo, feliz, ou seja, para tudo eu encontro motivo para comer compulsivamente.

Isso nunca foi segredo para mim mesma, não descobri com a terapia, mas tento tratar na terapia. É muito difícil você abolir um costume de uma vida inteira e é muito fácil você exagerar e perder o limite para se recompensar. Todos temos uma válvula de escape. Seja para a comida, para o jogo, bebida, drogas, esportes, ansiedades, tudo que nos supre momentaneamente e acaba nos trazendo prejuízos físicos e mentais. Tenho tentado aprender a lidar com essa questão e a me recompensar de outra maneira, pois ao mesmo tempo que satisfaço um prazer primário, prejudico meu próprio corpo e consequentemente a mente. Como diz a frase “corpo são, mente sã”.

Ainda não descobri como, mas eu chego lá. Agora, quando quero me recompensar eu escrevo, leio, compro um livro (barato), vou caminhar ou fazer um passeio agradável, vou sair com as amigas. Na verdade, o que eu queria era parar de ter essa necessidade de recompensas e não tenho a fórmula. Mais uma vez estou investindo em mim e continuo firme. Cheia de altos e baixos na balança, porém com a consciência cada dia mais leve.

3 comentários:

Ivy disse...

Adorei o post, saudades de ler seus textos...
Eu bem sei o que é isso, também lido com essa luta constante ir contra os desejos que recompensam momentaneamente alguma falta, no meu caso, a falta do meu pai...

Beijos, amei o texto.

Liza disse...

ola!li uma mensagem antiga sua ,será que você pode me mandar seu email para eu tirar umas dúvidas com vc?acho q tenho exatamente o mesmo problema que vc.Muito obrigada!
lizapadua@hotmail.com

Adriana Borges disse...

Oi,Vanessa
Nossas faltas fazem com que a gente busque preenchimentos sólidos para elas. Mas o que falta é algo imaterial, mais amor na vida. Eu também tenho essas ansiedaes e sei disso. Conheça meu blog: www.borboletanocabelo.blogspot.com
beijo Adriana