quarta-feira, 30 de abril de 2008

Cristão e Justiça Social


Trabalhar no serviço público de um município possibilita-me ter uma visão diferenciada da pobreza e da exclusão social. Os mais pobres clamam por uma ação eficaz do governo municipal, isso porque sentem na pele a falta de um tratamento digno de saúde, moram em condições precárias, os filhos andam, muitas vezes, quilômetros para poder freqüentar a escola, debaixo de sol, chuva e poeira do chão de terra. Muitos ainda não têm rede de esgoto, a comida é simples, na maioria, sem opção de carne, diferente do que estamos acostumados a comer todos os dias. Enfim, posso citar aqui milhares de exemplos que rondam as cidades hoje, advindos do caos social.

Esses dias, isso tem me levado a refletir o compromisso do cristão com o social. Jesus dá ênfase aos pobres várias vezes durante sua peregrinação. Ele diz que ao alimentarmos o órfão, a viúva, visitar os presos e os doentes, ou seja, nos importarmos com as situações da miséria e sofrimento humano, teremos importado com Ele próprio. Uso a palavra importar, porque sinto na maioria das pessoas um sentimento predominante: a indiferença social.

Hoje, ver um mendigo na rua, uma criança pedir dinheiro no sinal, não me comove mais. Parece que me acostumei com a situação atual. Então, percebo que meu compromisso cristão está sem direção, acostumado demais a freqüentar somente o banco da igreja, limitado à religião. O discurso do cristianismo é muito bonito, sabemos de cor, mas somos hipócritas. Porque conhecemos o que devemos fazer, mas na hora de colocar em prática é falho. O preconceito nos toma, o legalismo religioso transforma o mundo dos crentes em guetos. O crente tem pavor do mundo, das coisas mundanas, mas se esquece que é aqui que se deve fazer a diferença. A Bíblia mesmo fala que a colheita é grande, mas poucos são os trabalhadores.

Falo isso por me sentir assim, em alguns casos, mas sei que existe cristãos que estão na mesma situação, ou piores. Graças a Deus que estou sendo tocada quanto as minhas atitudes. Agora é só procurar o campo para começar a semear. Então, te convido: vamos fazer a diferença? Vamos olhar para o pobre, o negro, o homossexual, a prostituta, o drogado, o enfermo, o deficiente, e para todos que precisam de nossa atenção? Vamos mudar o mundo? Vamos trabalhar para Cristo?

Não é difícil começar, basta olhar para dentro de nós mesmos e separar o que temos para doar. Somos cheios de talentos, vamos multiplicá-los!

Um comentário:

Lê disse...

Oi Vá!
É isto aí! Concordo com você quando diz queprecisamossair dos bancos e fazer a diferença com atitudes.
Também já fiz esta reflexão e acho que sempre é tempo de começar a mudar.
Bjs!