segunda-feira, 9 de junho de 2008

Bodas de Ouro


Passaram as Bodas de Ouro. Foram 50 anos de casamento, muitas histórias para contar e o amor para celebrar. A vida não foi nada fácil. Naquela época, as donzelas eram legítimas, moça de família não era namoradeira. O rapaz tinha de ser trabalhador e honesto, bastava para formar o legado. Assim, casaram-se, ela se fez professora e mãe, ele marceneiro, construiu a casa. Cinco filhos criados, três netos também. A carreira eles completaram com fé e ainda batalham.

Em poucas palavras dá para contar essa história, mas que também é rica em detalhes. A reflexão proponho agora. Eles estão idosos, a diferença de idade é grande. Ela ainda é voraz, ele nem tanto, mas graças a Deus, está firme e forte. Na vida deles tudo foi normal, sem tragédias, foram felizes, amaram-se, acredito. O período atual comprova que se aturam. Criados num tempo em que divórcio é pecado, nem foi preciso. Chamo ela de santa, por agüentar os desatinos dele. É normal na idade, mas acentuados foram seus defeitos, quer dizer, apenas alguns.

Engraçados são os fatos, ela é muito paciente, xinga na frente dele, mas na nossa dá boas risadas. Ele tem suas manias, se tornou hipocondríaco, dorme às 20h em ponto e roga praga porque acorda às 4h. Agora, faz as contas? Ele dorme 8h por noite, então pra que ir dormir tão cedo? Ele busca o pão, é o primeiro do dia a entrar na padaria. Toma uma cachacinha na hora do almoço, mas não abusa. Chora ao ver os filmes na TV, conta histórias da mocidade, assiste à missa todos os dias, mas esconde a manteiga da diarista, pois ela só pode comer pão com margarina, alguém entende? Outro dia quase morreu porque teve que ser o último a servir o almoço, ainda lamentou que ninguém mais respeita o chefe da casa. Até hoje ele tem ciúme da amada, se eles recebem um hóspede, ele já reclama da atenção dela. Se ela vai à igreja, é uma beata. Se encontra com as amigas, deve ter véio na parada!

Ele num sai mais de casa. Fala que não dá conta. Ela viaja pra tudo quanto é lugar. Tantas são as diferenças! O casamento resiste e vai resistir até o fim. Não sei quanto aos sentimentos dos dois. Vejo que é difícil a convivência. E por todos esses anos juntos, vale a pena preservar essa história. A paixão existiu, a decepção também. Só eles podem contar o que sentiram e o que sentem agora. O bonito é ver que não se odeiam, mas se toleram!

2 comentários:

Andréa Christina disse...

Afinal de contas, quem tá fazendo 50 anos?

i-relevante disse...

No final das contas o amor se resume a algumas e poucas palavras: amizade, paciência, respeito e tolerância.

E que Deus nos ajude a todas!!!

Bjs e bom dia dos namorados para vc e o Vitor!