quarta-feira, 4 de junho de 2008

“Oscar” e criatividade para o Mundo do Crime


Hoje estava lendo essa crítica que escrevi quando estava na faculdade, no sexto período, em 2004. Achei interessante como as coisas fluem. Confere aí:

Criatividade: palavra-chave para se definir um substantivo, que virou necessidade entre as qualidades para se sobressair aos demais, nesse mundo abarrotado, sem ser leviano. Quem não é criativo, não dá nada na vida, mas, ser criativo, também não significa ser alguém admirável.

Falo isso, comprovando com as manchetes dos jornais: uma quadrilha foi presa, acusada de roubar bancos, há quatro anos, em Minas. Até aí, tudo bem, se não fosse pelo detalhe dos bandidos agirem fardados com uniformes da Polícia Militar e da Polícia Civil, fingindo ser policiais para assaltarem. Diante desse fato, uso a palavra criatividade, da mesma forma, para justificar um assalto a uma cobertura no bairro Padre Eustáquio. Os suspeitos vestidos com uniformes de agentes de saúde da Prefeitura de BH, que fazem visitas de inspeção de controle da dengue, renderam a empregada e limparam o apartamento.

Essa seria uma nova modalidade de assalto? Quem sabe? É só, não virar moda! Caso contrário, o caos tomará conta da cidade e a confiança no poder público balançará, em plena época de eleições. Sempre escuto pessoas dizerem: você não sabe mais se polícia é ladrão ou se ladrão é polícia! De quem é a culpa, eu não sei, mas sei que dois homens da quadrilha presa ainda conseguiram fugir fardados. Então, a dúvida continua.

No mundo crime inovação é o que não falta: são bandidos que escalam prédios de dez andares para roubar; assaltam, de moto, passageiros de táxi pela janela; entram nos ônibus, de madrugada, para faturarem notebooks de algum trabalhador sonolento; e, se quiser aprofundar no assunto, me deparo com maníacos do parque, do shopping, do metrô, do lotação, da padaria, da escola, de muitos lugares incontáveis. Fiquei pensando se a violência não é tanta que virou mediocridade. E da onde surgiu essa criatividade alucinadora dos assaltantes empreendedores? Dentro do contexto histórico e submetida a uma intolerância racional contra a luta pela hegemonia e poder, atribuo ser uma herança deixada pelo Tio Sam.

Pois é, hoje aqui em BH, temos um serial killer de taxistas. Em São Paulo, vários mendigos morreram espancados numa só noite, e se olharmos para cima no mapa-múndi, terroristas filmam bastidores do massacre de mais de 300 pessoas. Alguém pode até discordar da influência do Tio Sam, aqui ou lá na Rússia, mas episódios como esses, são amadores de sua indústria cinematográfica.

Hoje, lembrei de um garoto pobre, que virou artista de cinema, num filme sobre a vida numa favela do Rio de Janeiro. O filme conseguiu ganhar um pouco de espaço em Hollywood, concorrendo ao prêmio mais estimado do Cine. Mas, o garoto, não deu certo não, e, dias depois, foi parar nas ruas, roubando bolsas de velhinhas a fim de arrumar uma grana pra comer. Às vezes, se ele fosse um pouco mais bonitinho e soubesse arranhar bem o português, podia conseguir outros papéis. Ou melhor, se nós, os brasileiros, ouvíssemos a frase pela televisão: “And the Oscar goes to...”, esse menino podia estar na Globo, fazendo Malhação!

Agora, chega de se...

Um comentário:

Lê disse...

Oi Vá!
Pena que a criatividade tem sido usada para "projetos" ruíns.
Se todo mundo usasse a inteligência com bons propósitos o mundo sem dúvida seria melhor.

Bjs!