segunda-feira, 31 de março de 2008

Uma experiência frustrante


Legenda: A foto acima foi tirada pelo meu colega Ronaldo Leandro, no Centro de Educação Infantil Icaivera. Recém-inaugurado pela Prefeitura em Contagem. Experiência super diferente que tive do Curumim. Esse sim, valeu a pena!

Fui convidada para dar uma palestra sobre Comunicação aos estudantes do Curumim (não vou falar o nome), em Contagem. Aceitei e fiquei empolgada, pois nunca tinha dado uma palestra antes. Gastei tempo e disposição para preparar a aula. Tive o cuidado de elaborar algo interessante para as crianças, para chamar a atenção, mantive a preocupação de usar uma linguagem fácil, jovem. Até uma brincadeira sobre comunicação, que aprendi na faculdade, me prontifiquei a fazer. Esperava, no mínimo, crianças interessadas e educadas.

Meu Deus! Foi uma dificuldade poder falar sequer uma palavra. Não imaginava que crianças da periferia fossem tão mal educadas. Os meninos não respeitavam nem a diretora da instituição. Consegui fazer somente a brincadeira, mesmo assim, foi uma peleja. Fiquei horrorizada com o nível daquelas crianças. Impossível! Nunca mais volto naquele lugar, ou em lugar parecido.

Fiquei indignada e pensativa: será que tem jeito para essas crianças? O que elas estão aprendendo? E os pais? O que está acontecendo com a futura geração?

Admito que tenho um pensamento muito preconceituoso sobre o futuro dessas crianças. Afinal, educação começa desde que a criança nasce e os valores e o caráter são construídos e moldados pela família. Se a criança não recebe uma base em casa, na escola será muito difícil ensinar. Fiquei algumas horas naquele lugar e vi tantos absurdos acontecerem que tive que lavar minhas mãos. A solução está muito além do que eu me proponha a fazer. Mesmo por serem crianças dignas de misericórdia com direito a um futuro mais humanitário, não tive pena! O problema é cultural e social, muitas vezes, arraigado nos próprios familiares.

Senti foi raiva. Raiva de criarem crianças assim. Elas são vitimas, mas serão responsáveis pelos mesmos problemas futuramente, porque não tiveram a base. E assim vai: o circulo vicioso formado pela pobreza, pela falta de oportunidades, pelos valores brasileiros! Alguns querem mudar a realidade, mas ainda são poucos!

2 comentários:

Alê disse...

Oi Vá!

Achei engraçado a forma como você narrou sua experiência. Mas depois me deu pena destas crianças,porque elas são vítimas do meio em que vivem.
Quem sabe quando tiverem mais maduras elas não descubram que dá pra mudar a realidade em que vivem, não é?!
Ainda há esperança.

Bjs,
Alê

Anônimo disse...

Bom dia!

Não fique tão surpresa.
Este infelizmente não é privilégio das periferias. O mal comportamento das crianças e adolescentes está sendo uma epidemia que se espalha inclusive nas escolas particulares!
Fui professora por 11 anos e dentre outras coisas, foi o que me empurrou para fora.
Não culpa a pobreza. As melhores pessoas e mais integras foram extremamente pobres no passado.
Os valores é que se perderam e a ideia de que as pessoas tem de ser assistidas gera esta revolta e o comodismo